Já sentiu aquele desconforto de estar em uma conversa próxima e, de repente, notar que a outra pessoa deu um passo sutil para trás? Ou talvez você mesmo tenha passado o dia mascando chicletes, preocupado com um gosto amargo que teima em não ir embora. A primeira reação de quase todo mundo é correr para o banheiro e escovar os dentes com força, quase como se quisesse polir o esmalte. Mas, e se eu te dissesse que, às vezes, o problema não tem nada a ver com a escova de dentes? Claro, a higiene precária, restos de comida entre os dentes e a famosa saburra lingual — aquela camada esbranquiçada que se forma no fundo da língua — respondem por cerca de 90% dos casos de halitose. No entanto, são os outros 10% que realmente me fascinam como profissional. É nesse pequeno percentual que a boca deixa de ser apenas o local da mastigação e passa a atuar como um “outdoor” da nossa saúde interna. Quando o cheiro entrega o que o sangue esconde Lembro-me de um paciente, o Seu Jorge, um senhor extremamente cuidadoso. Ele chegou ao consultório frustrado porque, mesmo usando fio dental três vezes ao dia e raspador de língua, sentia um odor estranho, algo que ele descrevia como “cheiro de fruta passada” ou acetona. Ele achava que era algum dente inflamado escondido. Após um exame clínico minucioso, vi que a gengiva dele estava impecável e não havia cáries. O diagnóstico não veio do raio-X, mas do meu olfato e de uma conversa sobre o cansaço que ele vinha sentindo. O hálito cetônico é um sinal clássico de que o corpo está queimando gordura em vez de açúcar para obter energia, algo muito comum em quadros de diabetes não controlada. Encaminhei o Seu Jorge para um endocrinologista e, semanas depois, ele voltou: o hálito normalizou assim que ele começou o tratamento para o açúcar no sangue. A boca dele estava tentando avisar que o pâncreas precisava de ajuda. O mapa dos odores sistêmicos A nossa biologia é integrada. Não somos um amontoado de órgãos isolados. Por isso, certas condições sistêmicas alteram a composição dos gases que expelimos pelos pulmões e pela boca. Veja como o corpo se comunica: Odor de amônia ou urina: Pode indicar que os rins não estão filtrando a ureia como deveriam. Quando os níveis de ureia sobem no sangue, a saliva acaba sendo alterada, gerando esse cheiro característico. Cheiro de terra ou mofo: Em casos de problemas hepáticos graves, o fígado deixa de processar certas substâncias que acabam sendo liberadas na respiração. É o que chamamos tecnicamente de fetor hepaticus. Odor de “peixe podre”: Embora mais raro, pode estar ligado a desordens metabólicas específicas ou problemas graves de digestão. O papel da saliva nessa história Muitas vezes, a causa não é uma doença grave, mas sim a falta de “combustível” para o nosso sistema de autolimpeza: a saliva. A boca seca (xerostomia) é o paraíso para as bactérias que produzem compostos de enxofre, aqueles responsáveis pelo cheiro de ovo podre. Se você toma remédios para pressão, antidepressivos ou simplesmente não bebe água o suficiente, sua produção salivar cai. Sem saliva para lavar a boca e neutralizar os ácidos, as bactérias fazem a festa. É por isso que o hálito matinal é mais forte; passamos horas produzindo quase nada de saliva enquanto dormimos.
Odontonápolis Como cuidar de gengiva inchada
Odontonápolis
Av. Porto Seguro, 370 – Centro, Eunápolis – Bahia
(73) 3261-3942